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Selecção TAP Victoria
 
Maritávora Reserva Branco 2004

Jorge Serôdio Borges é uma certeza no panorama nacional. Nem mais, é ele que está por trás deste Maritávora e, se dúvidas restassem, quanto ao talento do autor de Pintas e Passadouro (tintos)... provem este branco!

Surpreendente! Ou nem tanto. Para os mais atentos, será antes confirmação do que já se suspeitava sobre o potencial do Douro Superior em matéria de brancos. Suspeitas enunciadas, por exemplo, a propósito de um Ázeo (ver Setembro 2005). Num caminho que só agora começa a ser percorrido, com a intensidade aromática há muito reconhecida mas sem excessos de "peso". Ou seja, conseguindo vinhos muito mais leves e luminosos do que estávamos habituados. Em duas palavras, mais equilibrados. E este Maritávora é exemplar. Brilhante, cheio, mas sem uma "grama" a mais no palato. Vinho do parque do Douro Internacional, portanto, já perto da fronteira, fruto do esforço dos descendentes de Guerra Junqueiro para preservar um antigo e valioso património. A Quinta de Maritávora, 14 hectares de solo pedregoso, a uma altitude de 500 metros, foi uma das várias adquiridas pelo pai do poeta, em meados do séc. XIX, em Freixo de Espada-à-Cinta.

História à parte, hoje, no ponto a que o mercado de brancos chegou, estamos em crer que também pode ser uma lição. Para os interessados no género, projectando-os para o nível seguinte. Façam a prova. Coloquem-no ao lado dos que julgam mais poderosos, talvez até mais intensos, decerto mais gordos. Em igualdade de condições, tirem as medidas e digam lá de que lado mora o equilíbrio.



Características
Região: Douro
Castas: Códega, Rabigato e Viosinho.
Vinificação: Uvas provenientes de uma vinha muito velha, com mais de 100 anos. Fermantado em barricas novas de carvalho francês, com três meses de battonage.
Estágio: 9 meses em barricas novas de carvalho francês.
Produção: 1800 garrafas.
Enólogo: Jorge Serôdio Borges
O nosso Preço: 2 x 24,20 EUR


Guru 2007

Durante demasiado tempo vivemos sob o estigma da falta de interesse e qualidade dos vinhos brancos portugueses. Porque na verdade a larguíssima maioria apresentava-se oxidada, evoluída, desprovida de qualquer sopro de vida. Depois, num ápice, passámos de vinhos brancos pesados e oxidados para vinhos de cunho artificial, super mega hiper frutados, carregados de aromas exóticos e de forte carimbo tropical. Mais tarde chegou o jeito de usar e abusar da madeira nova em vinhos pesadões, concentrados, monocórdicos, que, se num primeiro momento impressionaram pela novidade, cedo cansaram pela monotonia e pelos excessos. E claro, no meio de tanta experimentação e ensaio, de tantas tentativas e ilusões, houve quem finalmente percebesse as manhas e manigâncias necessárias para fazer um bom branco. Brancos frescos e minerais, brancos elegantes e distintos, mas também brancos sérios e profundos. Dois mundos que não são de todo incompatíveis!

O Guru foi um dos primeiros exemplos desta novíssima vaga de vinhos brancos sérios e estruturados, frescos e cristalinos, frutados e minerais. O que torna o Guru tão diferente e especial? A vinha velha da zona de Murça, a presença de dezenas de castas misturadas, a altitude da vinha, o trabalho primoroso na adega, o saber técnico e o empenho íntimo de Sandra Tavares e Jorge Serôdio. Mas acima de tudo, os detalhes, os pormenores, os cuidados extremos em todas as fases. Se nas duas primeiras edições, em 2004 e 2005, o Guru ainda apresentava um ligeiro excesso no protagonismo da madeira, este 2007 corrigiu de vez a contrariedade, com um vinho espantoso na dimensão, frescura e sobriedade da fruta. Um ano quase perfeito no Douro deu berço a um branco descomunal que vai espantar mesmo os que já conheciam edições anteriores do Guru. A idade adulta anunciou um Guru que alia de forma serena potência, elegância e mineralidade num só vinho. É assim que nasce um dos ainda raros, grandes vinhos brancos portugueses. Um vinho admirável!

Características
Região: Douro
Castas: Mistura de castas tradicionais do Douro com predominância de Viosinho, Gouveio, Rabigato e Códega
Estágio: Barricas novas de carvalho francês
Teor Alcoólico: 13%
Enólogo: Sandra Tavares da Silva e Jorge Serôdio Borges
O nosso Preço: 2 x 26,90 EUR


Nelin de Clos Mogador 2004

Vinhos de outras paragens escolhem-se, quase sempre, pela diferença. Para ampliar horizontes ou conhecer outros perfis. Contudo, este pareceu-nos igualmente interessante, até pedagógico, por ser... idêntico. Muito idêntico mesmo aos "melhores", perdão, aos mais estruturados que se encontram no Douro. Aliás, se dúvidas houvesse quanto à similitude entre esta região e o Priorat, origens mundialmente conhecidas pelos tintos... este branco, acaba com elas! Com variedades que nada têm a ver (prova que o vinho é mais questão de "terroir" que de castas). Claro que as parecenças ficam por aí, pois enquanto este é de uma região "micro", no Douro, as variações de orografia e clima ao longo de quase 200 km, abrem outras possibilidades. Que só agora começam a ser exploradas... mas, essa, é outra conversa.

Voltando ao Nelin e conhecendo René Barbier, quase apostávamos que não descansa enquanto não fizer um grande branco no "seu" Priorat. A primeira tentativa, em 2000, deixou excelente impressão. Mas, no ano seguinte, o entusiasmo esfriou. Havia muita madeira e demasiado álcool. Com esta colheita, diríamos que se aproxima mais do que nunca do objectivo. Dentro do limite, ou seja, do perfil mencionado. Que é, passe a expressão, um excelente branco elaborado com "mentalidade de tinto": da sensação visual de peso à boca potente, gordurosa e estruturada. Expressa claramente o carácter prioratino, vinoso, com alguma refrescante nota cítrica a equilibrar. Acaba largo, retronasal amplo e amargoso, devido à mineralidade, à força com que expressa o "terroir".
Parece ter matéria para muitos anos. Aliás, gostávamos de voltar a provar mais tarde, até pela comparação atrás enunciada, para saber como evolui, se oxida ou não... Sendo que, no imediato, completa bem o ciclo Priorat. Pois obriga a reconhecer um grande vinho e a força do "terroir", mesmo sem apreciar o perfil. Mesmo para quem, como nós, prefere brancos mais frescos e leves, com um final menos marcado pela mineralidade.

Características
Região: Priorat (Espanha)
Castas: Garnacha (60%), Viognier (15%), Pinot Noir (10%) e Roussane (15%).
Vinificação: Uvas provenientes de 4 parcelas, num total de 10 hectares. Como todos os vinhos de René Barbier, este também não conhece inox: vinificado primeiro em tinas e depois em barricas (com a percentagem de Pinot, como é óbvio, vinificada em branco)
Estágio: 8 meses em barricas novas de carvalho francês.
Teor Alcoólico: 14% vol.
Produção: 5500 garrafas.
Enólogo: René Barbier
O nosso Preço: 2 x 19,90 EUR



Selecção Extra de Junho - 6 Garrafas
Produto O nosso Preço
Maritávora Reserva Branco 2004 2 x 24,20 EUR
Guru 2007 2 x 26,90 EUR
Nelin de Clos Mogador 2004 2 x 19,90 EUR
Totais:   142,00 EUR

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