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Abr. Maio Jun. Julh Agos. Set. Out. Nov. Dez.
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Selecção de Maio - 2006 - Esgotado
 
Malhadinha 2004

O Malhadinha está mais sério! Nesta edição, o topo de gama da Malhadinha Nova apresenta-se mais maduro e profundo. Natural reflexo do ano. Durante os meses de canícula, 2004 talvez não tenha registado os picos de temperatura da colheita anterior, mas globalmente foi ainda mais seco. Na zona de Albernoa, como em todo o Baixo Alentejo, o ano foi de seca, que haveria de se agudizar ao longo de 2005. Um dos estios mais severos das últimas décadas.
Esqueçam pois os morangos, a pureza de fruta que aqui distinguimos na estreia (ver Selecção Abril 2005). Mantém-se o equilíbrio, a boa extracção, mas este vai muito mais nos frutos negros, carnes, especiarias. Num certo sentido, expressão mais profunda do "terroir" da Malhadinha, como a nota "salé" que deixa em boca. Nota pós-gustativa que já tínhamos identificado no Pequeno João e que, sem exageros, bem integrada, contribui para a "raça" e vocação gastronómica do conjunto. Ou seja, se a fruta simples e pura do anterior brilhava em prova, este é muito mais vinho para a mesa!

De resto, resulta da mesma paixão dos irmãos Soares, do investimento e carinho que colocam nos mais ínfimos detalhes: dos rendimentos baixíssimos, com forte monda na vinha, à vindima em minúsculas caixas, com diferentes passagens por talhão, até à luxuosa adega onde se conjuga tradição (pisa a pé) com a mais moderna tecnologia (lagares refrigerados, etc). Tudo coordenado e supervisionado pelo enólogo Luís Duarte (Qª do Mouro).

Para não falar dos 200 hectares de encostas bem drenadas, que se espraiam em redor da adega; do gado de linha pura ou da criação de porcos pretos em extensivo. Até à forma como a própria família vive o projecto e usufrui da Herdade. Ali, tudo reflecte dedicação e harmonia. Como o rótulo desenhado pela pequena Matilde, a segunda filha de João Soares, nascida no ano em que plantaram a vinha... Na sua simplicidade e pureza, cativou de imediato os apreciadores e é já um dos mais conseguidos no panorama nacional. Como o vinho que ilustra!

Produtor
Herdade da Malhadinha Nova

Características
Região: Alentejo.
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês e Cabernet Sauvignon.
Vinificação: As uvas colhidas para caixas de 12 Kgs e levadas para a Adega, ao lado da vinha, e aí novamente seleccionadas em mesa de escolha. Pisa a pé em pequenos lagares refrigerados, com 2 macerações a frio, no início e durante a fermentação.
Estágio: 14 meses em barricas novas de carvalho francês.
Teor Alcoólico: 14,5% vol.
Produção: 17100 garrafas.
Enólogo: Luis Duarte e Pedro Garcia.
O nosso Preço: 2 x 31,70 EUR

Clos Apalta 2003

Aí está um vinho que todo o apreciador sério devia conhecer! No mínimo, perceberia como pode o hemisfério sul desafiar os gigantes europeus. Mais, parece caro em relação ao mar de vinho diluído que sai do Chile mas, atendendo à elevada qualidade e à actual bitola do mercado internacional, é até bastante razoável!

Criado a partir da mais antiga parcela de Carmenère do vale de Rapel, de quem herdou o nome, teve na sua origem um problema que impediu que essa vinha fosse irrigada, como era hábito. Graças a isso, a proprietária, Alexandra Marnier-Lapostolle e a sua equipa rapidamente perceberam que a irrigação já não era necessária, uma vez que as raízes das velhas cepas tinham ido suficientemente fundo para encontrar água. O resto, bom, o resto tem a ver com a mestria da vinificação e a chegada ao Chile da estrela do Pomerol (Bordéus), Michel Rolland. Para quem dúvida da eficácia de consultores que passam pouco tempo com cada cliente, percorrendo adegas de todo o mundo, o Apalta é a prova em contrário: o famoso "flying winemaker" bordalês fez da adega onde passa 2 ou 3 semanas por ano, uma ilha de alta qualidade no meio de centenas de rótulos medíocres e/ou indistintos. À base da casta que Rolland tão bem conhece do "seu" Pomerol, este continua a ser um ícone chileno e do Novo Mundo!

Claro que o rótulo evoluiu em relação ao vinho de 1997 (primeiro com distribuição mundial). Menos maciço e "monstruoso", já não é só a velha parcela de Carmenère... Das 20 mil garrafas daquele ano, passou para mais de 60 mil e em breve sairá o dobro da fantástica adega de 8 milhões de euros e 6 pisos subterrâneos escavados na rocha mãe da encosta mais íngreme de Apalta (ver link). Mas, nesta 6ª edição (em 98, não houve Apalta) o vinho faz jus à paixão que a intensidade e qualidade aromática dos merlots chilenos despertaram no mercado americano: intenso, grande textura e concentração, é quase impossível resistir à saturação de fruta negra e vermelha que nos invade o paladar, vaga após vaga!

Informação Complementar
'Viagem ao centro da terra'

Produtor
Casa Lapostolle

Características
Região: Vale de Rapel (Valle Central - Chile)
Castas: Merlot (80%), Carmenère (5%) e Cabernet Sauvignon (15%).
Vinificação: Parte em inox e parte em madeira Cunaco (a partir de 2005, o vinho passa a ser totalmente vinificado em cubas de madeira), com controlo de temperatura. Cerca de 15 dias de fermentação, também com leveduras nativas, seguida de longa maceração pós-fermentativa (16-18 dias).
Estágio: 22 meses em barricas 100% novas de carvalho francês.
Produção: 64800 garrafas.
Enólogo: Michel Rolland, Andrea Leon e Jacques Bégarie.
Informação: Está já bebível, mas pensamos que poderá ainda melhorar com mais 1 ou 2 anos em garrafa.
O nosso Preço: 1 x 49,00 EUR

Almaviva 2003

Quem comprou o 2002 (ver Junho 2005) sabe do que falamos. E se o vinho, só por si, justifica a escolha, mesmo não sendo uma estreia, julgamos irrecusável a possibilidade de incluir (e provar) na mesma selecção os 2 melhores da América do Sul! Com tudo o que o título tem de subjectivo, de facto, este e o anterior (Apalta) ocupam invariavelmente os dois primeiros lugares de todas as provas e comparativos sul-americanos. Variando apenas entre si, no primeiro e segundo posto, consoante o crítico e a publicação.

A história do Almaviva é conhecida: depois da aliança com o californiano Robert Mondavi para criar o Opus One, nos anos 90, a baronesa Philippine de Rothschild virou a sua atenção para o hemisfério Sul, para o Chile. Mas, ao contrário das outras figuras de Bordéus, que ali procuravam produzir vinhos acessíveis, a dona do Chateau Mouton-Rothschild aliou-se à Concha y Toro, de longe a maior adega chilena (25% da produção do país), para fazer o que o pai fizera na Califórnia: um "grand vin" capaz de rivalizar com os melhores do planeta!

O Almaviva é tratado como jóia preciosa, em adega própria e vinificado pela equipa de Mouton, que se desloca para o efeito. Detalhe importante, este foi o último assinado pelo histórico mestre de Mouton (com a retirada de Patrick Leon, o 2004 é já responsabilidade de outra figura da escola bordalesa). Em ano propício à "despedida". O efeito do El Niño fez-se sentir no final de 2002, mas, no período crítico de maturação, primeiros meses de 2003 (estamos a falar do hemisfério sul...), o Chile beneficiou do clima mais favorável e homogéneo da última década: Fevereiro quente, Março ameno e condições temperadas a prolongarem-se até Abril. Resultado, ainda é cedo para avaliações definitivas, mas se alguém (Robert Parker) considerou o 2002 como o melhor Almaviva até à data, diríamos que este, menos caprichoso que o habitual (o Almaviva não tem, por exemplo, a estrutura consensual e arrebatadora do Apalta), segue-lhe as pisadas. Para melhor...

Produtor
Almaviva - Concha Y Toro

Características
Região: Vale de Maipo (Valle Central - Chile)
Castas: Cabernet Sauvignon (75%); restante Cabernet Franc e Carmenère.
Teor Alcoólico: 14,5% vol.
Produção: 120 mil garrafas.
Enólogo: Patrick Leon e Enrique Tirado (a partir de 2004, enologia assegurada por Tod Víctor Mostero)
O nosso Preço: 1 x 47,78 EUR

Quinta de Azinhate 2003 Grande Escolha

Mais uma estreia apadrinhada pelo Clube. Num segmento onde continuamos a apostar na descoberta de novos valores e onde, acreditamos, a novidade é particularmente bem vinda pelo apreciador: vinhos sérios, de qualidade notória, muito acima da média, mas ainda razoavelmente acessíveis. Enfim, dentro do que o mercado convencionou chamar gamas premium e super-premium. Este, é do produtor do Valle do Nídeo, outro rótulo quase desconhecido por nós lançado. O que diz quase tudo, pois oferece idêntico binómio preço/qualidade mas em patamar superior.

Uns bons furos acima nos cuidados que justificam o preço, da pisa a pé à passagem por madeira nova. Mas, não foi por isso que o escolhemos. Longe disso. Este é outro vinho: boa estrutura, concentração e óptima acidez! Uma surpreendente frescura, admirável mesmo, para o ano em causa.
Como aqui dissemos a propósito do Valle do Nídeo, Miguel Abrantes representa a nova geração, com formação técnica, que tenta "dar a volta" a explorações familiares desde sempre dedicadas ao negócio de Porto. Gere um conjunto de propriedades, num total de 130 hectares de vinha, repartidos por Vilarinho de Cotas, em Alijó, e Vila Nova de Foz Côa, no Douro Superior. No caso, a Quinta de Azinhate situa-se no planalto de Foz Côa, entre a vila e o rio que lhe dá nome, onde se encontra o chamado xisto negro de Foz Côa (xisto cúbico). Traduzindo, a Quinta fica nas imediações das pedreiras onde são extraídos os esteios de vinha, estacas de pedra negra que ainda hoje, no Douro, se usam para aramar a vinha. Ainda mais importante, 12 hectares situados a uma altitude de 450 metros, onde só um ano quente como 2003 permitiu alcançar semelhante volume e concentração. Sublimados pela frescura que faz deste Azinhate um vinho muito elegante e cheio de potencial!

Características
Região: Douro
Castas: Touriga Nacional (70%) e Touriga Franca (30%).
Vinificação: Pisa a pé, em lagar tradicional.
Estágio: 8 meses em barricas novas de carvalho americano (50%) e francês (50%).
Teor Alcoólico: 14% vol.
Enólogo: Miguel Hermínio Abrantes
O nosso Preço: 2 x 11,91 EUR


Selecção de Maio - 6 Garrafas
Produto O nosso Preço
Malhadinha 2004 2 x 31,70 EUR
Clos Apalta 2003 1 x 49,00 EUR
Almaviva 2003 1 x 47,78 EUR
Quinta de Azinhate 2003 Grande Escolha 2 x 11,91 EUR
Totais:   184,00 EUR

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