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Selecção de Fevereiro - 2006 - Esgotado
 
Dona Maria 2003 Reserva

É o regresso de um senhor do vinho alentejano, ao mais alto nível! Com este rótulo, Júlio Bastos retoma a saga iniciada nos anos 80, com os célebres Garrafeira, e interrompida em meados da década seguinte com a venda da marca Quinta do Carmo aos franceses da Lafite Rothschild (DBR - Domaines Barons de Rothschild). Diz quem conhece, vinhos soberbos, do melhor que o Alentejo já fez. Como o comprovam a excelente forma mantida pelos 1985, 86 e 87.

Mas vamos ao que interessa. Este, revela idêntico potencial, em perfil surpreendente. No mínimo, invulgar, pois sendo austero e taninoso, não chega nunca a ser agressivo. Pelo contrário, com notável frescura, revela-se quase elegante, por trás da aparente dureza. Vinho bem masculino, com tudo em "su sitio", a pisar os limites sem nunca os ultrapassar. Sobretudo, sem que nada nele exteriorize o calor da origem ou os excessos de um ano como 2003! O que, cada vez mais, nos faz pensar em Estremoz como um caso à parte.
Alguns "detalhes" traduzem essa especificidade. Por exemplo, nesse ano de canícula, a precipitação na zona foi de 600mm, quando a média regional ficou nos 400 mm. Em diversas zonas desceu mesmo à casa dos 300 mm, nível a que muitas espécies entram em regressão. Enfim, basta dizer que no terreno em causa, a 380m de altitude (e atenção, estamos a falar do Alentejo...), não há qualquer sistema de rega das vinhas velhas que Júlio Bastos adquiriu, mesmo ao lado das que vendeu aos franceses.

Como não cabe aqui contar tudo, diremos que uma vinha foi replantada com novas castas, "suavizando" o vinho, com vista à internacionalização da marca Quinta do Carmo; enquanto a outra, 14 hectares da chamada vinha Dom Martinho (de onde provinham os antigos garrafeiras), com uma idade média de 40 anos, foi escolhida pelo proprietário sem marca para retomar o sonho. Recuperada a antiga adega com lagares de mármore e rebaptizada a quinta com o nome inicial (Dona Maria), ele aí está: chama-se Reserva 2003!

Produtor
Dona Maria

Características
Região: Alentejo
Castas: Alicante Bouschet (50%); Aragonês, Cabernet Sauvignon e Syrah.
Vinificação: Em tradicionais lagares de mármore.
Estágio: 14 meses em barricas novas de carvalho francês e 10 meses em garrafa.
Teor Alcoólico: 14% vol.
Produção: 17300 garrafas e 600 Magnuns.
Enólogo: Luís Duarte e Sandra Gonçalves.
O nosso Preço: 2 x 29,90 EUR

Guru 2004

Como qualquer enólogo que se preze, desde o início do projecto Pintas que Sandra Tavares da Silva e Jorge Serôdio Borges ambicionavam fazer um branco. Fizeram este Guru, com uvas de vinhas velhas compradas na zona de Murça, conseguindo, quanto a nós, o feito que já haviam alcançado com o tinto: entrada directa para o lote dos melhores do país!

Vinho com muito boa estrutura e uma tremenda intensidade aromática. O objectivo dos autores, era de resto conseguir um branco poderoso, bem estruturado, mas sem perder a fruta. Como tantas vezes acontece, quando se usa e abusa de "bâtonnages" para chegar a néctares aparentemente mais gordos e untuosos... com sacrifício da fruta. Que, em última análise, exprime o "terroir", a verdadeira essência do vinho.
Bom, para não complicar demasiado aos olhos do apreciador, diríamos que é seguramente um dos raros brancos nacionais de "madeira", elaborado com o necessário rigor. Da intensidade das "bâtonnages" aos especiais cuidados para evitar oxidações (razão principal do envelhecimento precoce que assola os brancos portugueses). O que nunca é fácil na fermentação em barrica (onde o vinho entra em contacto com oxigénio), muito menos com uma prensa pouco adequada, como aquela a que Sandra e Jorge tiveram de recorrer. Enfim, truques que o casal não vai decerto revelar...

Certo é um resultado muito, muito bom, em termos aromáticos. Com matéria para chegar ao que de bom se faz, por exemplo, em regiões míticas de brancos como a Borgonha. Em nossa opinião, faltará apenas limar algumas arestas, como a integração da madeira ou ir ainda mais longe em termos de leveza e elegância. Parece-nos haver ali ainda um certo "peso" desnecessário, típico do Douro. Mas atenção às más interpretações. Tudo isso, se elevarmos o nível de exigência. Porque, para o panorama interno, não temos dúvidas que é do melhor e mais bem feito que há!

Características
Região: Douro
Castas: Mistura de castas tradicionais com predominância de Viosinho, Gouveio, Rabigato e Códega.
Estágio: 10 meses em barricas de carvalho francês 100% novas.
Teor Alcoólico: 13% vol.
Produção: 1500 garrafas.
Enólogo: Sandra Tavares da Silva e Jorge Serôdio Borges.
O nosso Preço: 2 x 24,00 EUR

Domaine de Pégau 2003 Cuvée Reservée

Grande ano em Châteauneuf-du-Pape, grande, grande vinho! E não há muito mais a acrescentar à nota de prova transcrita em baixo. Apenas que está explicada a aposta do clube num rótulo de culto de Châteauneuf , em ano menos favorável como foi 2002 (ver selecção Dezembro 2004). Única forma de garantir o acesso exclusivo a colheita tão excepcional como 2003. Para se ter uma ideia, praticamente todo o vinho do ano que Laurence Féraud tinha em adega era de nível da Capo (Cuvée da Capo, um lote cujas 3 edições - 98, 2000 e 2003 - mereceram sempre 100 pts. Parker)! Acreditem, compra obrigatória. Ou, desculpem, mas não resistimos... quantos conhecem assim, na casa dos 30 euros?

Robert Parker - 95 pts.
Wine Advocate nº 156 (Dez. 2004)

"The deep, saturated ruby-colored 2003 Chateauneuf du Pape Cuvee Reservee reveals glorious, generous aromatics of kirsch liqueur, smoke, dried herbs, roasted meats, licorice, and incredible levels of fruit and extract. These wines are very full-bodied and super-concentrated, with high levels of glycerin, alcohol, and tannin. Virtually every cuvee from Pegau achieved 16% natural alcohol. I expect an amazing version of the Cuvee Reservee that will be even fleshier, fuller, and more exotic and flamboyant than such great vintages as 2001, 2000, and 1998. Perhaps the closest vintage for comparison will be 1990, but time will tell. The 2003 will have 15-20 years of aging potential after its release in 2005.

P.S. While it had not been separated since everything was still in cement vats, there will definitely be a Cuvee Laurence produced from some of the Cuvee Reservee. They are essentially the same wine, but the Cuvee Laurence spends a longer time in wood. I am not sure I understand the need for this offering now that the estate has introduced the Cuvee da Capo in the finest vintages. But, having just drunk a glorious bottle of the 1998 Cuvee Laurence, I would not be prepared to eliminate it from their portfolio."

Características
Região: Châteauneuf-du-Pape (França)
Castas: Grenache (75%), Syrah (20%) e 5% mistura de outras castas tradicionais.
Vinificação: As 11 parcelas do Domaine, 18 hectares repartidos pelos melhores terroirs de Châteauneuf (Escandudes, Rayas, Montpertuis, etc), são de cultivo orgânico e os vinhos tratados com muito pouco sulfuroso. A vinificação é a tradicional: para os tintos há uma leve foulage (técnica de quebrar a pele da uva para libertar o sumo) e os cachos, sem desengaçar, são colocados em balsas. O processo de maturação dura mais de 15 dias e quando a fermentação alcoólica está completa, o vinho é decantado para grandes barricas de carvalho.
Estágio: 18 meses em barricas grandes de carvalho francês.
Teor Alcoólico: 15% vol.
Enólogo: Laurence e Paul Féraud
Informação: Qualquer Pégau dura à vontade 15 ou 20 anos. As colheitas de 89 e 90 continuam a envelhecer muito bem. Tratando-se de um ano ao nível daqueles, tanto pode impressionar bebendo já, como guardar até 2020... ou mais!
O nosso Preço: 2 x 30,60 EUR


Selecção de Fevereiro - 6 Garrafas
Produto O nosso Preço
Dona Maria 2003 Reserva 2 x 29,90 EUR
Guru 2004 2 x 24,00 EUR
Domaine de Pégau 2003 Cuvée Reservée 2 x 30,60 EUR
Totais:   169,00 EUR

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