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Abr. Maio Jun. Julh Agos. Set. Out. Nov. Dez.
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Selecção de Outubro - 2006 - Esgotado
 
Terrenus 2004

Grande estreia! Concretização do sonho do autor, iniciado em 1991, quando o então jovem discípulo de João Portugal Ramos ensaiava os primeiros passos ao serviço da Cooperativa de Portalegre. Rui Reguinga sempre alimentou a ambição de um dia fazer ali o "seu" vinho, em plena serra de S. Mamede. Na região e terreno cujo potencial aprendeu a conhecer com tão ilustre mestre. Pois bem, o vinho aí está, de nome Terrenus, em homenagem às características daquele "terroir". Por uma série de razões, nem sempre trabalhado ao mais alto nível e, como tal, ainda sem grande reconhecimento.

Aliás, um pouco á semelhança do enólogo: 15 anos volvidos, um dos melhores da nossa praça, mas singrando na sombra da adega. Sem procurar a exposição mediática, sem se agarrar a "receitas" feitas (que funcionam com certas uvas e em certas condições... o que o público facilmente confunde com domínio da técnica). Antes procurando o melhor, para cada uva e cada local. O que tem mais que se lhe diga...
É assim que, consolidada uma série de rótulos (Pancas, Cadaval, Roques, Ravasqueira, etc.) do Dão ao Alentejo, da Estremadura à... Argentina, Rui regressa ao ponto de partida: 2 pequenas parcelas de vinhas velhas, uma arrendada e outra adquirida, num total de 2 hectares. Na serra, a 780m de altitude!

O resultado é um tinto seco, elegante, com uma acidez muito bem integrada e taninos que só as vinhas velhas conseguem. Qualidade que nos agrada sobremaneira: começa fechado, austero, mas é daqueles que vai mudando no copo e tem sempre mais para mostrar. Frutos vermelhos, depois uma agradável "réglise", e, em fundo, uma verdura a contrariar excessos de maduro. A integração da madeira é outra boa surpresa (segundo o enólogo, o segredo está em barricas maiores que o habitual). Tudo somado, mesmo em selecção nivelada tão por cima, demos primazia à experiência. Porque, acreditem, só com muitos anos e saber é possível chegar aqui, logo à primeira!

Características
Região: Alentejo
Estágio: 9 meses em barricas novas de 400L.
Teor Alcoólico: 14% vol.
Produção: 3900 garrafas.
Enólogo: Rui Reguinga
O nosso Preço: 2 x 25,50 EUR

Momentos 2004

Outra estreia... e vão 2 que representam a assumpção de projectos pessoais, de enólogos consagrados! Natural, em fase "amadurecida" das respectivas carreiras. Coincidência de lançamento com o interesse acrescido de cruzar percursos de reconhecido mérito, em regiões tão distintas e representativas como Douro (Momentos) e Alentejo (Terrenus)!

Este, com o "dedo" do autor estampado no rótulo, remete-nos para Luís Soares Duarte e para o topo de gama, anunciado logo no lançamento do vinho de base (Perfil, ver selecção de Julho). É pois o primeiro vinho saído da parcela mais antiga (80 anos), a "vinha do Conqueiro", das 3 que o enólogo arrendou em 2004, em Vale Mendiz. Aquela que Soares Duarte considerou mais adequada para exprimir o conceito de "terroir" subjacente à marca.

Mas, atenção, falar de vinhos personalizados é muito bonito, desde que se perceba no copo. E, neste momento, talvez até o apreciem pelos motivos errados: a extracção e agressividade juvenil, com vincada acidez (nesse sentido, típico do Douro, não tão pronto a beber, por exemplo, como o anterior). Primeiro, a acidez fixa joga um papel importante nos vinhos de Soares Duarte. E o que sublinhamos no Perfil, é tanto mais válido num vinho estruturado como este: a evidente acidez, quase agressiva, permitir-lhe-á ganhar vida com o tempo. Segundo o autor, é uma questão de meses. Para nós, talvez 1 ano. Para atingir o equilíbrio e vida que se prolongará em garrafa, com frescura, por bons anos.
Senão, abrindo já, uma sugestão: deixem-no ficar aberto 24h. Aí sim, terão uma boa ideia do que vai ser. Perceberão como se integra; como o musgo, giestas e aromas silvestres passam sem traço de sulfuroso (Luís engarrafa normalmente com mais sulfuroso que outros, que apostam num equilíbrio de prova mais "imediato" mas que depois perdem frescura precocemente); como pode surgir fresco e mais suave, sem a aspereza do 1º impacto. Por outras palavras, como foi feito para grandes Momentos! Desde que se saiba esperar por ele/s...

Características
Região: Douro
Castas: Vinha velha, com mistura de castas tradicionais (Tinta Roriz, Touriga Franca, Tinta Barroca, Bastardo, Tinta Amarela, Sousão, Mourisco Tinto, Tinto Cão, etc.)
Vinificação: Vindima no dia 19 de Setembro de 2004. Desengace total. Fermentação inicial em Lagar a 28/30 ºC por 5 dias com pisa a pé e terminou em cuba onde permaneceu mais 12 dias. A Fermentação maloláctica decorreu em barrica nova de carvalho francês.
Estágio: 20 meses em barricas novas de carvalho francês.
Teor Alcoólico: 13,5% vol.
Produção: 3300 garrafas.
Enólogo: Luis Soares Duarte
Informação: Julgamos que requer uma guarda de pelo menos 6 meses a 1 ano. Para durar depois, à vontade, uns bons 10 anos.
O nosso Preço: 2 x 27,50 EUR

Redoma Reserva 2005

Cada vez mais fino, sem perder riqueza. Depois de classificarmos o 2004 como a depuração do estilo "Redoma Reserva", este vai um pouco mais longe, parece-nos ainda mais brilhante. Transpondo para outra linguagem, se isto se medisse em "watts", diríamos que a partir da mesma intensidade, do mesmo volume, consegue ser mais luminoso. Acidez mais elevada, conferindo maior harmonia, equilíbrio, ao conjunto? Talvez. Não arriscamos explicações. Nem é característica facilmente perceptível, para a maioria. Mas valemo-nos da memória fresca, da invulgar proximidade de lançamento do anterior (ver Junho 2006). Se ainda houver por aí alguma garrafa, provem e comparem.

Questionado, o produtor considera que 2005 deu uma boa ajuda, subindo outro degrau em termos de fineza e equilíbrio. Modéstia de quem revela cada vez maior domínio da técnica e da fruta? Talvez. Provavelmente, um pouco de cada: de natureza favorável e do excelente trabalho de quem, desde 1993, vem experimentando e afinando os ditos "brancos sérios" em busca de finura e leveza.

Aliás sobre o primeiro aspecto, os favores da colheita em matéria de brancos, para os mais atentos, nem é novidade. Recorde-se a evolução registada, faz pouco, com outro rótulo duriense de topo (cujo 2005 nos pareceu igualmente superior ao 2004, apesar dos prémios que este arrecadou). Para não falar do nível atingido, no ano em causa, por toda uma categoria de brancos de outra região nortenha.
Quanto ao trabalho de Dirk com as vinhas velhas de Rabigato*, situadas entre os 400 e os 700 metros de altitude, acreditamos que 04/05 ficará como um binómio memorável! Uma espécie de marco, na progressão rumo ao objectivo traçado. Muito acima do que há pouco era referência (2000) e dificilmente repetível, semelhante subida, em 2 anos consecutivos. Bom, pelo menos 2006 não nos deve desmentir...

* Nome que, segundo Duarte dOliveira, deriva de "rabo de gato", sinónimo de Maria Gomes na Bairrada e Rabo de Ovelha no Dão e no Alentejo.

Características
Região: Douro
Castas: Predominância de Rabigato, proveniente de 3 vinhas seculares, e alguma mistura de outras castas tradicionais como Codega, Donzelinho e Viosinho.
Vinificação: Clássica em branco, com fermentação em barrica. Para preservar a sua acidez e condição, não foi sujeito a fermentação maloláctica.
Estágio: Fermentou e estagiou 10 meses em barricas 70% novas, de carvalho francês.
Teor Alcoólico: 13% vol.
Produção: 7 mil garrafas.
Enólogo: Dirk Niepoort
O nosso Preço: 1 x 28,50 EUR

Numanthia 2004

Outro tinto singular e grande de Espanha! Vértice do triângulo que colocou Toro no mapa (juntamente com o San Román - ver Maio 2004 - e a nova "bodega" de Vega Sicilia). Talvez mesmo o principal responsável, desde que a primeira "añada" (1998, lançado no Outono de 2000) arrebatou 95 pts. de Robert Parker e pôs a crítica internacional de olho na pequena denominação da província de Zamora. A última antes do Duero passar a Douro e onde, sem desprimor para os restantes, há de facto um antes e depois do Numanthia!

O alerta chegaria também a públicos mais vastos: em 2002, o vinho de base (Termes) chega ao 3º posto do Top 100 do ano, da Wine Spectator (esse, quando sai, está todo vendido para os EUA). Os irmãos Eguren conseguiam assim em Numanthia Termes o rápido sucesso que conheceram com o San Vicente, na sua Rioja natal, e que se preparam para repetir, podem escrevê-lo, no recente Viñedo de Páganos (El Puntido - ver Junho 2006 - e outro que promete dar que falar).

Neste caso, êxito montado em 40 hectares de vinhas velhas, com 70 anos de idade média, em Valdefinjas, Toro e Argujillo. Um varietal Tinta de Toro, clone local da Tempranillo, cultivado a 700m de altitude, o que explica a relativa frescura em vinho tão poderoso. Numa região mais quente e seca, por exemplo que Ribera, e vinhas ainda em pé franco (os solos pobres e arenosos escaparam à filoxera), o que explica a tremenda concentração. Enquadre-se isto numa colheita excelente, talvez a mais favorável nos curtos 18 anos da D.O. Toro e... pena, muita pena que o célebre crítico de Maryland, que atribuiu 96 pts. ao 2003, não tenha ainda provado este! Na mesma linha mas, pese o contra-senso de falar de suavidade em Toro, com taninos mais doces e suaves. Talvez fruto de maior equilíbrio com a acidez ou da graduação elevada. E com expressão mais frutada, dentro da força habitual. Para não falar da cor negra: impossível caber mais cor num vinho! Vejam-na como um aviso para deixar respirar no copo todo o músculo contido na garrafa...

Produtor
Adegas Eguren

Características
Região: Toro (Espanha)
Castas: Tinta de Toro (100%).
Vinificação: Fermentação uma semana e macerado durante quase 30 dias. Maloláctica em barrica.
Estágio: 20 meses em barricas novas de carvalho francês.
Teor Alcoólico: 14,5% vol.
Produção: 50 mil garrafas.
Enólogo: Marcos Eguren
O nosso Preço: 1 x 30,50 EUR


Selecção de Outubro - 6 Garrafas
Produto O nosso Preço
Terrenus 2004 2 x 25,50 EUR
Momentos 2004 2 x 27,50 EUR
Redoma Reserva 2005 1 x 28,50 EUR
Numanthia 2004 1 x 30,50 EUR
Totais:   165,00 EUR

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