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Abr. Maio Jun. Julh Agos. Set. Out. Nov. Dez.
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Selecção de Agosto - 2005 - Esgotado
 
Poeira 2003

Todos diferentes, todos iguais! Podia bem ser o mote do Poeira: 3ª colheita, 3º vinho distinto, dentro do perfil inicial. Vem isto a propósito das inevitáveis comparações. Sabemos que é difícil mas, esqueçam... pois elas nem sempre fazem sentido.

Ao demarcar um espaço e estilo muito próprios, o Poeira ganhou uma corte de admiradores atentos ao menor desvio. Sabendo isso, e como cada colheita se distancia das restantes, atalhamos caminho: resistam à tentação e apreciem o vinho pelo vinho. Com todas as nuances em relação a anteriores colheitas, mas sem que isso interfira na avaliação deste, tomado individualmente. Caso contrário, nunca perceberão o Poeira 2003.
Como vinho de "terroir", reflecte as condições da colheita, de cada ano, sobre a mesma vinha. O que, só por si, já explica contornos distintos. Encorpado, muito mais potente e maduro este que os anteriores. Mantendo um óbvio fio condutor, a frescura e boa acidez, mas mais forte e caloroso! Como o ano que o viu nascer.

Essa é a explicação lógica. Depois, há ainda a mão do artífice. O modo como o enólogo gere os limites que cada ano lhe impõe. E aqui, entramos no domínio da inconfidência. Quem conhece Jorge Moreira, percebe a piada de um amigo comum ao apresentar-nos o produtor do Poeira: "se esperam vermelho, sai azul às riscas...". Foi assim que o primeiro fruto do "terroir" de Terra Feita, em Provesende, surpreendeu. Um modelo de elegância e frescura. No ano seguinte, já com audiência cativa e à espera de algo tão diferente, saiu azul. Sem riscas. Pois bem, em 2003, se esperavam uma coisa ou outra, é caso para dizer que saiu... vermelho!
Passe o exagero, a analogia cromática transmite um pouco do espírito do vinho e do seu criador. Bem como a conclusão a que chegamos, depois de muita prova. Com cada vinho, ou em comparativo, dos 4 feitos até ao momento (2004 incluído). Como se disse, há um fio condutor mas com variantes óbvias. E apreciar este 2003 em busca dos anteriores, é passar ao lado da imensa riqueza que ele possui.

Características
Região: Douro
Castas: 2,5 ha de vinha velha com mistura de castas tradicionais; 1,5 ha de vinha nova com Tinta Roriz, Touriga Franca, Touriga Nacional e Souzão.
Vinificação: Vinificação em lagares de pedra com pisa a pé. Fermentação maloláctica do lote de vinha velha em barricas e o lote de vinha nova em Inox.
Estágio: 16 meses em barricas, 50% novas e 50% dos 2º e 3º anos.
Teor Alcoólico: 14% vol.
Produção: Cerca de 12 mil garrafas.
Enólogo: Jorge Nobre Moreira
O nosso Preço: 2 x 29,90 EUR

Quinta da Touriga Chã 2002

Se há vinho que lamentávamos não ter ainda incluído na selecção do Clube, é este Touriga Chã. Seguramente no "Top ten" dos mais interessantes, neste momento, no Douro. E um dos dois novos grandes rótulos que a região tem para oferecer este ano (o outro, mais recente, chama-se Pangea e só deve sair lá mais para diante).

Aproveitamos pois a época, de acalmia em matéria de lançamentos, para reparar a injustiça. Com a devida vénia a quem primeiro reparou nele: David Lopes Ramos, em Fevereiro deste ano, destacava o vinho de 2001 no suplemento Fugas, do jornal Público. Num artigo que tira do esquecimento um herói do Douro. Despertou o interesse da Revista de Vinhos que pouco depois, em Abril, também dava à estampa a história de José Rosas.
Foi ele que mostrou o Douro ao sobrinho João Nicolau de Almeida, conquistando-o para o estudo e selecção de castas. Como escreveu o nosso consócio do jornal Público: "Trabalho pioneiro e notável, em que avulta a escolha da Touriga Nacional como casta rainha da região. O Douro deve-lhe também a experimentação de novos métodos de plantação... bem como a descoberta do lugar onde, actualmente, se localiza uma das mais belas quintas da região, Ervamoira. E, começamos a ter agora à disposição os primeiros resultados, a quinta que José Rosas queria que fosse a síntese dos seus melhores sonhos: a Quinta da Touriga".

O nome, está bom de ver, deve-se à decisão de cultivar 80% do vinhedo, em Chã, Vila Nova de Foz Côa (Douro Superior), com os melhores clones de Touriga Nacional. O que, na altura (1990), devia ser caso único. Mas, aquele a que chamaram Papa do vinho do Porto não viveu para ver realizado o sonho, a que o filho Jorge dá continuidade com este vinho. Impressionante: decantado umas boas 3 ou 4 horas antes, aguenta bem outro tanto intenso no copo, explosivo mesmo, de aromas e concentração. Com taninos firmes mas textura suave, apesar de tudo nele gritar juventude, aconselhando guarda prolongada, não será fácil resistir à tentação de tanto Douro! Grande vinho.

Características
Região: Douro
Castas: Touriga Nacional (80%) e Tinta Roriz (20%).
Vinificação: Transporte da vinha para a adega em pequenos contentores de 17 Kg e em camião refrigerado à temperatura de 15º. Pisa a pé.
Estágio: 17 meses em barricas novas de carvalho francês.
Teor Alcoólico: 13,7% vol.
Enólogo: João Brito e Cunha e Jorge Rosas
O nosso Preço: 2 x 27,00 EUR

Schloss Gobelsburg Lamm 2004

O ano passado, por esta altura, apresentamos em Portugal a Grüner Veltliner. Até então praticamente ignorada entre nós, apesar de ser uma das castas brancas mais apreciadas na cena internacional e, seguramente, uma das mais adequadas ao nosso Verão. É a uva austríaca por excelência (37% do vinhedo total do país) e talvez o branco mais flexível, digamos, em termos gastronómicos. O que melhor se adapta à multiplicidade de sabores que podemos encontrar nas férias. "Se a Viognier e a Sauvignon Blanc tivessem um bébé, seria a Grüner Veltliner", assim a define Terry Theise, especialista mundial em vinhos alemães, austríacos e champagnes.

Apresentada a casta, voltamos a Langenlois (Kamptal), à adega onde se produzem alguns dos melhores Veltliners do planeta, mas desta vez em busca de algo mais refinado. Ou seja, depois do Steinsetz (ver selecção Junho 2004), este ano a escolha recaiu num dos vinhedos pelos quais a "weingut" Schloss é famosa no mundo do vinho: "ried" Lamm! Trata-se de uma suave encosta virada a sul, no sopé de Heiligenstein, a falésia que domina todo o vale, de frente para a confluência dos rios Kamp e Danúbio. Com vinhas em terraços, é conhecida por dar origem a Rieslings lendários.

O nome original da falésia ("Hellerstein") significava "rocha do diabo", devido ao calor que aquele solo rochoso acumula no Verão. No sopé da elevação, em Lamm, o solo apresenta uma profunda mistura de sedimento lodoso, da última era glaciar, muito rico em cristais minerais, e marga (rocha calcário-argilosa), que dá um Veltliner longo e elegante. Vinho que traz estampado o selo do produtor e toda a mestria de Michael Moosbrugger. Ainda mais que o habitual. Com frequente alternância de sol e chuva e muita humidade, 2004 deu que fazer aos produtores austríacos e a colheita expressa bem o saber e arte dos melhores. Mais elegante que poderoso (ao invés, por exemplo, do 2003), este é um Lamm muito fresco, raçudo, com uma acidez excelente.

Informação Complementar
Vinhos austríacos (site oficial)

Produtor
Schloss Gobelsburg

Características
Região: Kamptal (Áustria)
Castas: Grüner Veltliner (100%).
Vinificação: A fermentação e maturação é feita em barricas de carvalho.
Enólogo: Michael Moosbrugger
O nosso Preço: 1 x 21,90 EUR

Schloss Gobelsburg GV Beerenauslese 2004 (375 ml)

Pois, o normal seria outra garrafa de Lamm e selecção arrumada. Mas, a visita à Schloss Gobelsburg colocou-nos perante esta pequena pérola e a possibilidade de enriquecer a oferta, conhecendo também a Grüner Veltliner (GV) nesta variante. Os sócios, conhecedores da excelência dos "doces" austríacos (lembram-se do Kracher?), não deixarão de apreciar a ideia...

Como se disse, 2004 significou trabalho extra para os produtores austríacos. Frio e chuva prolongaram-se Primavera dentro. A vinha rebentou tarde. Em Junho e Julho, o sol continuou sem aparecer, atrasando ainda mais o desenvolvimento da fruta. A mudança deu-se em Agosto, com um mês radioso e um Setembro igualmente bonito. Mas a chuva voltou, mal começara a colheita das variedades precoces, prolongando-se até Outubro. No vale do Danúbio e outras regiões, nevoeiro persistente e altas pressões provocaram uma humidade elevada que quase não deixava os bagos secar, entre chuvadas. Mas, como sempre, o mal de uns é o bem de outros: os produtores de vinhos doces, esses, não continham sorrisos. A alternância de sol e chuva, com humidade elevada, originou muita botrytis. Tarde e depressa, colheram-se grandes quantidades de podridão nobre.

Resultado, se em 2003, ano quente e maduro, os teores de açúcar dispararam (mesmo com reduzida acidez e algum défice de aromas, devido ao curto período de maturação) e muitos mostos atingiram o nível Auslese; já em 2004, a maioria destes vinhos (estiveram na vinha mais de 100 dias após a floração) apresenta sabores perfeitamente delineados e uma tremenda acidez. Mas com maior dificuldade em atingir as categorias mais elevadas do sistema Prädikat, ou seja, são menos doces relativamente ao ano anterior.
O que ajuda a resolver o dilema que uma só garrafa de 37,5 cl. sempre coloca... Se não há pressa de beber um Beerenauslese, muito menos de 2004 - estes vinhos são dos mais duradouros do mundo - este é deliciosamente fácil de gostar, mesmo tão novo. A sua acidez torna-o muito, muito refrescante no imediato...

Características
Região: Kamptal (Áustria)
Castas: Grüner Veltliner (100%).
Teor Alcoólico: 11,5% vol.
Enólogo: Michael Moosbrugger
Informação: Sirva fresco, bem fresco!
O nosso Preço: 1 x 14,30 EUR


Selecção de Agosto - 6 Garrafas
Produto O nosso Preço
Poeira 2003 2 x 29,90 EUR
Quinta da Touriga Chã 2002 2 x 27,00 EUR
Schloss Gobelsburg Lamm 2004 1 x 21,90 EUR
Schloss Gobelsburg GV Beerenauslese 2004 (375 ml) 1 x 14,30 EUR
Totais:   150,00 EUR

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