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Selecção de Maio - 2005 - Esgotado
 
Carrocel 2003

Pré-lançamento do novo ponta de lança do Dão! Uma estreia antecipada em exclusivo, graças ao posicionamento e, perdoem a imodéstia, à particular composição do nosso universo de sócios. Foi isso que permitiu convencer Álvaro Castro a expor no Clube o que só deve mostrar ao público em Outubro. Porque provar já implica sensibilidade para os diferentes momentos de um vinho. Implica interesse em perceber o ponto de partida, a base que fará dele um rótulo de referência: a sua invulgar intensidade aromática.

Para o nosso universo, é decerto uma rara oportunidade. Compensando de caras eventuais cruezas. Até pelo objectivo do produtor e a especial vinificação utilizada. Álvaro Castro tentou aqui concentrar toda a fruta que se obtém no início da fermentação e, por outro lado, a estrutura, os taninos doces, do final do processo fermentativo. Para isso, reuniu a melhor Touriga da Quinta da Pellada e do Outeiro (Passarela) em dois lagares. Num, deixou o mosto ferver até determinado ponto. Já o segundo lagar foi totalmente sangrado e as películas refrigeradas (para não fermentar) até receber o conteúdo do primeiro. Seguindo-se uma vinificação longa, de 17 dias. Ou seja, o vinho fermentou duas vezes. Mal comparado, algo parecido com a técnica italiana do "ripasso". Embora aí, na região de Valpolicella, a segunda fermentação ocorra adicionando uvas passas (ou borras, não prensadas, de Amarone). Uma forma de tonificar, ou se quiserem, "aditivar" o vinho. Em termos técnicos e para evitar más interpretações, no nosso caso será melhor falar numa sangria elaborada em vez da tradicional sangria simples.

Detalhes à parte, se o vinho revela uma exuberância aromática fora do vulgar, na boca não mostra ainda como vai ficar. Por isso, sobre a segunda parte do objectivo enunciado, relativa à estrutura e aos taninos, aguardemos pela volta. Só o tempo dirá quanto mais (voltas...) o Carrocel vai dar. Mas, também por isso propomos duas garrafas. Para que possa provar uma e guardar outra. E comparar, lá mais para diante...

Características
Região: Dão
Castas: 90% Touriga Nacional e o restante mistura de castas tradicionais.
Estágio: 14 meses (150% madeira nova)
Teor Alcoólico: 13,3% vol.
Enólogo: Álvaro Castro
O nosso Preço: 2 x 37,90 EUR

Tiara 2004

Perfil de R... ! Não. Infelizmente, desta vez, não vamos directos à expressão que em nosso entender melhor definiria o vinho. Tão pouco convém alongar apresentações. Primeiro, para não arranjar problemas ao produtor, com larga experiência na matéria sempre que tenta inovar. Segundo e por mais respeito que as entidades reguladoras nos mereçam, porque seria quase criminoso impedir a divulgação do rótulo com base em detalhes burocráticos, como a percentagem desta ou daquela casta. Muito mais importante é tratar-se do primeiro do género, ou melhor, do primeiro vinho nacional a atingir o patamar pretendido para brancos com esse perfil!

Posto isto, passemos ao que se pode dizer... Grande apreciador de vinhos de além Reno, Dirk Niepoort volta a surpreender com um branco muito diferente. Com corpo, estrutura, mas sem madeira e, sobretudo, com uma excepcional leveza. Frescura e elegância suportadas por uma boa acidez. Para tal recorreu a pequenas parcelas de vinhas de lavradores na margem direita do Douro, a mais de 600 metros de altitude (650m - 800m). O ano de 2004, quente e com algumas chuvas em Agosto, também permitiu uma acidez muito difícil de conseguir na região do Douro. O resultado é um aroma fino, do mais fino, fresco e elegante que se encontra em Portugal. E nem por isso deixa de ser frutado, longo e persistente na boca. Conjugação que, como se sabe, é pouco comum na região em causa.

Mal comparado, digamos que o produtor fez o que já tinha feito com os tintos: este Tiara está para o Redoma assim a modos como o Charme está para o Batuta. Sendo que, no caso dos brancos, o caminho é tão positivo e inovador que não admira se em futuras colheitas for o segundo, nomeadamente o Reserva (Redoma), a aproximar-se da finura e elegância deste. Seguramente uma das novidades do ano, vestida numa alta e esguia garrafa renana. Aliás, quanto ao resto, ao que não se pode dizer... até já dissemos demais. Para o caso, o vasilhame, leia-se a garrafa, também fala por si!

Características
Região: Douro
Castas: Mistura com predominância de Codega, Rabigato e R...
Vinificação: Tecnicamente, é um vinho... mal feito. O mosto foi decantado a baixa temperatura por um período de 24 horas, antes de iniciar o processo de vinificação. Com leveduras indígenas e uma longa, longa fermentação nas borras (3 meses). Sem fermentação maloláctica (de forma a preservar a frescura e o perfil aromático)!
Estágio: 3 meses em inox.
Teor Alcoólico: 13,5% vol.
Produção: 5 mil garrafas.
Enólogo: Dirk Niepoort
O nosso Preço: 2 x 14,90 EUR

Clos Martinet 2002

Depois de termos apresentado em Portugal o grande vinho do Priorat, de René Barbier (Clos Mogador), era uma questão de tempo contemplar o outro histórico da região e aquele que mais se aproxima em termos de prestígio e consistência. Colheita após colheita. De facto, se o primeiro "descobriu" a região nos anos 80, Josep Lluís Pérez é considerado o "pai ideológico" da revolução que se seguiu, na década de 90. E o seu Clos Martinet um dos quatro clássicos que mudaram para sempre o vinho prioratino (os outros são o já mencionado René Barbier, Alvaro Palacios e o seu L`Ermita e Carles Pastana do Clos L`Obac). Acérrimo defensor das castas autóctones, Pérez dirige desde a sua fundação a escola de enologia de Falset, onde ajudou a formar quase todos os novos produtores da zona. É considerado hoje um dos melhores técnicos espanhóis.

Entretanto, se os rótulos se multiplicaram e os preços no Priorat sofreram uma escalada sem precedentes, muitos deles a reboque da fama dos primeiros, agora que a poeira assentou constata-se que não surgiu nada melhor em termos de qualidade. E aqueles são ainda os valores mais seguros. Atendendo à proporção dos preços e à solidez do rótulo, é reconfortante olhar para uma adega como Mas Martinet. Situada no coração do Priorat, o seu vinhedo ocupa 7 hectares numa espectacular garganta entre Falset e Gratallops. A adega é do tipo familiar, produções muito limitadas, técnica minuciosa e outro predicado que faz toda a diferença: Sara Pérez! A filha de Josep Lluis que nunca quis ir para o vinho, mas, com o pai assessorando adegas por toda a Espanha, não teve outra saída senão tratar de Mas Martinet. Uma dúzia de anos mais tarde era apontada pelo El Pais como a mulher mais importante do vinho espanhol e aos 31 anos de idade assina alguns dos melhores rótulos do país vizinho. A solo (ver em baixo), com o marido René Barbier Jr. (o tão fabuloso como raro Vinya del Vuit), ou na adega da família, como é o caso deste Clos Martinet 2002.

Informação Complementar
Os melhores do Priorat (Jancis Robinson)

Características
Região: Priorat (Espanha)
Castas: Garnacha (40%), Cariñena (20%), Cabernet Sauvignon (20%) e Syrah (20%).
Estágio: 21 meses em barricas novas de carvalho francês.
Teor Alcoólico: 14,5% vol.
Produção: Cerca de 20 mil garrafas.
Enólogo: Josep Lluís Pérez e Sara Pérez
O nosso Preço: 1 x 39,50 EUR

Venus 2003

Uma amostra da modernidade espanhola! A escolha era quase inevitável: depois da impressionante carga aromática de um Martinet, profundo e repleto de "terroir", este Venus encarna a busca de novos caminhos para o vinho, representa novas tendências em ascensão. A interpretação pessoal de Sara Pérez, enóloga de Mas Martinet e Cims de Porrera (entre outros...), é clara: "no futuro, os melhores vinhos do Priorat serão mais frescos e elegantes no estilo." E se bem o pensou, melhor o fez. Há meia dúzia de anos, Sara e outros notáveis do Priorat, encetaram a descoberta da vizinha região de Monsant: produtores como René Barbier e o seu sócio bordalês, Christopher Canaan (Laurona); Daphne Glorian e Eric Solomon, do conhecido Clos Erasmus (cooperativa Celler de Capçanes e Cellers Capafons-Ossó). Elucidativo sobre o potencial da recém criada Monsant DO, formada, digamos assim, pela cadeia montanhosa que envolve o Priorat como um croissant. Até ser oficialmente demarcada em 2001, Monsant integrava a mais ampla denominação Tarragona.

Sara escolheu uma pequena Finca de 4 hectares, com uma "adega" de 30m², nos limites do município de Falset. Em homenagem aos modestos mas ambiciosos artesãos dos anos 20, baptizou a mini quinta "Compania Universal de Vinos". Foi aí, em "La Uni", como gosta de lhe chamar, que criou o que poderia ser a mãe de todos os vinhos femininos: Venus e Dido, sua filha exemplar (segundo vinho, que deve sair ainda este ano).

Sobre o primeiro, um companheiro de provas descreve-o como um bordado. E, de facto, é um vinho elegante, delicado, muito bem acabado. Sem demasiadas complexidades nem extravagâncias, tipo a perfeição no copo. A ponto de pensarmos que alguma imperfeição o tornaria mais interessante. Até se perceber que o acabamento perfeito, essa cobertura exterior, encerra encantadoras nuances aromáticas. Igualmente delicadas, como detalhes de... fina renda. Exigindo apreciação atenta e, quase sempre, atraindo apenas olhares treinados. Estamos convencidos que assim será com este Vénus.

Informação Complementar
D.O. Monsant (site oficial)
Nova vaga de uma velha região (Tarragona)

Características
Região: Monsant (Espanha)
Castas: Cariñena (50%) e Syrah (50%).
Vinificação: Vinificado em separado, por parcelas e variedades. A Syrah fermenta entre os 26ºC e 29ºC, com ligeira remontagem e maceração que dura entre 28 e 32 dias. As Cariñenas vinificam em barricas abertas de 500 litros, para poder separar parcelas, e entre 30 a 35 dias, a uma temperatura de 25ºC. Prensado, segue para barricas novas onde estagia 18/21 meses, com trasfega no mês de Maio. Engarrafado em Junho do ano seguinte.
Estágio: 21 meses em barricas novas de carvalho francês.
Teor Alcoólico: 13,5% vol.
Produção: 24 mil garrafas.
Enólogo: Sara Pérez
O nosso Preço: 1 x 23,90 EUR


Selecção de Maio - 6 Garrafas
Produto O nosso Preço
Carrocel 2003 2 x 37,90 EUR
Tiara 2004 2 x 14,90 EUR
Clos Martinet 2002 1 x 39,50 EUR
Venus 2003 1 x 23,90 EUR
Totais:   169,00 EUR

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