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Selecção de Março - 2005 - Esgotado
 
Gloria Reynolds 2002

É seguramente uma das estreias do ano! Prova que a planície é propícia à grande indústria, viu florescer "fábricas" de vinho, mas continua a atrair projectos de alta qualidade. No caso, um nome inglês de propriedade espanhola. O que faz dele o primeiro e talvez o mais interessante de vários que aí vêm... e prometem restaurar o brilho da região. Porque Julián Cuéllar Reynolds não é só mais um estrangeiro dos muitos que, por algum motivo (clima, espaço, sossego), se instalam no Alentejo.

Trata-se de alguém que reencontra na raia fronteiriça, perto da serra de São Mamede, o antigo ofício dos seus antepassados ingleses. Claro, os mais atentos terão já relacionado o apelido - Reynolds - com a família que em 1800 chegou ao Alentejo e desde 1856 aí produz vinhos de qualidade. Foi nessa data que um dos irmãos Reynolds herdou o Mouchão e outro (Robert Reynolds) ficou com a propriedade contígua, do outro lado da estrada. Durante algum tempo, ainda ali se produziu um rótulo (D. João) que acabaria por desaparecer. Com Julián Cuéllar, é esse ramo da família Reynolds que regressa ao vinho e à região onde granjeou fama.

Com o suporte de um importante negócio de xisto do outro lado da fronteira (Villar del Rey) e a ambição de criar marca à imagem de uma Vega Sicilia. Ou seja, sem olhar a despesas para dotar a propriedade adquirida há 4 anos com todos os luxos. Do caminho bordejado a alfazema ao longo dos 40 hectares de Aragonês, Trincadeira e Alicante Bouschet (haverá também alguma Syrah, Cabernet e Touriga Nacional), à adega de chão de ardósia, repleta de barricas bordalesas e enormes balseiros novos Seguin Moreau. Um senão, é mais fácil vê-lo brilhar em certos restaurantes de Marbella do que apanhá-lo deste lado da fonteira. As ligações espanholas de Julián (é também sócio do impressionante mosteiro convertido em hotel - Rocamador - nos confins da Extremadura) favorecem a vocação exportadora desde a primeira colheita, funcionando em termos comerciais quase como um clube privado.

Características
Região: Alentejo
Castas: Alicante Bouschet (40%), Trincadeira (40%) e Aragonês (20%).
Estágio: 12 meses em barricas novas de carvalho francês e ano e meio em garrafa.
Teor Alcoólico: 13% vol.
Produção: 12 mil garrafas.
Enólogo: Paulo Laureano
Informação: Proveniente de um dos vinhedos mais elevados da região (400m), este Gloria Reynolds, embora longe da plenitude, exibe uma invulgar frescura que o torna desde já perfeitamente bebível.
O nosso Preço: 2 x 36,00 EUR

Quinta de Macedos 2001

Um amigo, com o à vontade dos amigos, definiu-o de forma que não resistimos: "atenção, isto é um pequeno Batuta!" Serve a analogia para expressar todo o valor que não lhe foi reconhecido na colheita anterior. Apesar dessa aqui ter sido assinalada em Setembro de 2003: "assume a origem de forma pura e dura. Sem rodeios. Com notas de frutos pretos muito maduros, musculado na boca e taninos poderosos. Com toda a potência que notabilizou os tintos da região e que torna este vinho tão especial (...) destinado a um tipo de apreciadores igualmente especial!" (Ver em outros meses)

Digamos, actual. Mas, claro, à época isso passava com outra conotação. Se bem se lembram, aquele era um perfil que se usava e abusava, confundindo estrutura e volume com exagero e desequilíbrio. O que, além de toldar o significado das palavras, levava o consumidor a valorizar outras vias. Certo é que este 2001, bem como a prova mais recente do vinho de 2000, incrível a juventude e vigor que a sua estrutura conserva, vem renovar o alcance da apreciação. Entretanto, com o advento de outro vinho da mesma quinta, o Lagar de Macedos, a facilitar a abordagem, a percepção da profundidade do Quinta de Macedos.

Grosso modo, a quinta é composta por 2 parcelas: uma, de vinhas enxertadas em 1945/46, nos limites mais elevados da propriedade (100 a 150m), em socalcos de exposição sul; a outra, de vinhas enxertadas no início dos anos 20, onde nasce este Quinta de Macedos. Para além da diferença de idades, o vinho de cepas tão maduras exibe ainda uma mistura varietal, aspectos e práticas de plantação distintas. Vinhas em encostas viradas a Este (50 a 100m de altitude) e plantadas em estreitos socalcos de duas fileiras. A produção é excepcionalmente baixa, de fruta com cor e concentração intensas e, por último, a mistura varietal é ainda a original, com predominância de Touriga Franca. Estrutura que aguenta mais 5 meses de estágio que o irmão mais novo... Sendo que o estágio que lhe der em garrafa, será igualmente decisivo para expressar a diferença!

Características
Região: Douro
Castas: Mistura de 16 castas tradicionais do Douro, com predominância de Touriga Franca.
Vinificação: 10 dias em lagar com pisa a pé e vinificado com engaço.
Estágio: 20 meses em barricas novas de carvalho francês.
Teor Alcoólico: 14,4% vol.
Produção: 3 mil garrafas.
Enólogo: Paul e Raymond Reynolds
O nosso Preço: 2 x 27,50 EUR

Homenagem a Hans Christian Andersen 2003

Edição limitada de um bom vinho de Cortes de Cima, por uma causa nobre. Começando pelo vinho, bem na linha do produtor, um dos que melhor reproduz no nosso país o chamado estilo Novo Mundo: guloso, a transbordar de fruta e vivacidade. Quase diríamos, é impossível não gostar. Para apreciar na descontracção não é preciso ir mais longe, a sua irreverência juvenil arrebatará mesas e paladares insuspeitos. Enquanto fizer alarde dessa boa forma, é até capaz de desarmar concorrência de maior cabedal!

Poder de sedução a que não é alheia a casta, adequada ao género e uma das que mais contribuiu para lhe dar fama internacional. Daí, estamos certos, a opção de Hans Kristian Jorgensen por um varietal Syrah para homenagear o seu compatriota e vulto mundial da literatura infantil. O que nos leva à edição limitada e causa nobre, que aqui contam tanto como o vinho. Ou não fossem prova da sua apetência cultural e solidária.

Em 1866, o autor de contos como "O soldadinho de chumbo" ou "A pequena sereia", visitou Portugal, país a que haveria de referir-se como um verdadeiro paraíso na Terra. Por cá permaneceu 3 meses e por cá encontrou inspiração para muitos dos seus 156 contos, entre os quais "O sapo", texto escrito durante a estadia de Hans Christian Andersen no nosso país e que acompanha esta garrafa num mini livro de 16 páginas. Ligações que dão sentido à ideia de associar um rótulo luso, de paternidade dinamarquesa e perfil internacional, às comemorações do 200º aniversário do escritor. De resto, o governo dinamarquês quis sublinhar o carácter universal do evento com a criação de uma Fundação humanitária, a "HCA-abc", que visa ajudar crianças de todo o mundo a aprender a ler e escrever. É para essa instituição que revertem os proventos do produtor, por cada garrafa vendida.

Informação Complementar
Site oficial das comemorações

Produtor
Cortes de Cima

Características
Região: Alentejo
Castas: Syrah (100%)
Estágio: 7 meses em barricas de carvalho francês e americano.
Teor Alcoólico: 14,5% vol.
Produção: 5 mil garrafas.
Enólogo: Hans Kristian Jorgensen
O nosso Preço: 1 x 14,10 EUR

Coudoulet de Beaucastel 2002

Mais um nome de culto, praticamente desconhecido do grande público, que entra em Portugal pela mão do clube. Fica assim completo o naipe de ases do sul do Ródano (ver Fonsalette e Rayas), pois este é muito mais que um segundo vinho de Beaucastel. Além da cuidadosa elaboração pelos proprietários do mítico Château, os irmãos Perrin (François e Jean-Pierre), Coudoulet deve a sua aura à magnífica localização. O vinhedo cruza-se com o de Beaucastel, apenas separados pela auto-estrada A7 (Marselha-Lyon), linha divisória que atira 30 hectares de Coudoulet para a designação genérica Côtes-du-Rhône. Na realidade, beneficia do mesmo solo e geologia e, como alguns conhecedores bem sabem, de preços muito mais acessíveis que o irmão do outro lado da A7...

Os produtores não gostam que se fale disso, mas é sabido que os melhores lotes de um servem muitas vezes para compor o outro. O que, com a mentalidade francesa, em que tudo é feito em função do rótulo de topo, quer dizer que o melhor de Coudoulet verte habitualmente para Beaucastel. Daí também a ideia generalizada de segundo vinho. Mas isso em anos ditos normais. Ora, acontece que em 2002 não houve topo de gama e este foi o único tinto elaborado em Beaucastel. Na sua composição entra boa parte da fruta que estaria destinada ao vinho mais valioso.

O resultado é um vinho que não sendo de guarda prolongada, não senhor, estará pronto a beber mais depressa. Capaz de proporcionar maior prazer no imediato, facilitando até uma eventual abordagem ao género. De resto, a sua bela estrutura e persistência desmentem, mais uma vez, o lugar comum dos anos ou colheitas ditos desfavoráveis. Essa é uma generalização que convém à imprensa, mas muitas vezes enganadora, pois não contempla a situação específica de cada produtor, de cada "terroir", como os detalhes atrás enunciados. Também por isso, não raro é aí que se encontram grandes compras tidas à partida por mais difíceis. Como se comprova por este Coudoulet de Beaucastel (e respectivo preço)...

Produtor
Château de Beaucastel

Características
Região: Côtes du Rhône (França)
Castas: Grenache (30%), Mourvèdre (30%), Syrah (20%) e Cinsault (20%).
Vinificação: Os cachos seleccionadas à chegada à adega, são alvo de um rápido aquecimento a 80ºC (em pele) e de imediato arrefecidos a 20ºC. Maceração clássica em cuba de betão durante 12 dias.
Estágio: 6 meses em barricas e engarrafamento após colagem em clara de ovo.
Produção: Cerca de 100 mil garrafas.
Enólogo: François e Jean-Pierre Perrin
Informação: Os Perrin terão sido uma das primeiras grandes famílias do vinho a introduzir uma viticultura completamente orgânica. Há mais de 40 anos que não se usam pesticidas ou herbicidas nos vinhedos de Beaucastel e Coudoulet, fertilizados apenas com compostos naturais.
O nosso Preço: 1 x 15,90 EUR


Selecção de Março - 6 Garrafas
Produto O nosso Preço
Gloria Reynolds 2002 2 x 36,00 EUR
Quinta de Macedos 2001 2 x 27,50 EUR
Homenagem a Hans Christian Andersen 2003 1 x 14,10 EUR
Coudoulet de Beaucastel 2002 1 x 15,90 EUR
Totais:   157,00 EUR

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