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Selecção de Dezembro - 2004 - Esgotado
 
Vinha do Fojo 2001

À quinta colheita (96,98,99, 2000...), sem dúvida, o melhor de todos os Vinha do Fojo! E esse é o primeiro motivo da escolha. Vinho mais completo e de concentração muito superior aos anteriores. Mantendo o carácter vincado, mas óptima acidez e uma fruta mais viva. Contida, como é timbre da casa, mas muito mais viva e afinada. Numa primeira impressão, sugerindo até novo perfil. Mas a explicação, estamos em crer, é mais terrena e de ordem menos prosaica: tem a ver com o ano! Este vinho, como todos, depende do ano. O que evidencia segundo motivo de interesse.

O facto de ser oriundo da mesma vinha do Fojo, plantas com uma idade média real de 80 anos (alguns vinhedos, como o do Vale da Mina, com mais de 100 anos!), beneficiando de iguais cuidados na elaboração, ajuda a perceber o comportamento dessa vinha de ano para ano. A forma como o "terroir" reflecte as virtualidades de cada colheita. Agora, recorde-se o quadro mais geral de 2001 naquela zona do Douro, no vale do Pinhão. Pintas numa margem, Poeira na outra, só para citar dois exemplos de uma vaga de grandes vinhos nascidos nessa data. Ou seja, o salto qualitativo deste Vinha do Fojo vem confirmar o que a esta distância se torna cada vez mais nítido: 2001 foi um ano de grande qualidade no coração do Douro. Para alguns, e naquela zona em particular, melhor até que 2000. Sem a mesma estrutura, mas com melhor acidez, de fruta mais fresca e exuberante.

O que nos leva a desconfiar que apenas por o ano anterior ter sido ano de Fojo, é que este levou com o Vinha do... É que duas edições consecutivas daquele seria demais, do ponto de vista comercial. Porque, quanto ao vinho, 2001 está à altura do apelido. Cabe-nos aproveitar quando essa questão do nome próprio (leia-se Vinha do...), como é sabido, proporciona quase o mesmo (...Fojo) por muito menos.

Características
Região: Douro
Castas: 80% de Tinta Roriz e Tinta Barroca, 7%,Touriga Nacional, 7% Touriga Franca e mistura residual de outras castas tradicionais.
Vinificação: Elaboração em lagares de granito, com controlo de temperatura por intercambiadores de calor que vão de lagar em lagar.
Estágio: Cerca de ano e meio em barricas de carvalho francês novo e semi-novo.
Teor Alcoólico: 14% vol.
Produção: Cerca de 15 mil garrafas.
Enólogo: Margarida Serôdio Borges
O nosso Preço: 2 x 34,90 EUR

Domaine du Pegau 2002 Cuvée Réservée

Com este vinho, inicia-se uma sequência de escolhas internacionais de um patamar inédito no nosso país: verdadeiros vinhos de culto, venerados em círculos de conhecedores. Longe do olhar do grande público, onde chegam quase sempre já muito especulados, dada a procura por parte dessa corte internacional de fiéis admiradores. No caso, um dos 3 super-rótulos (os outros são Beaucastel e Rayas) de Châteauneuf du Pape!

O proprietário Paul Féraud ("Wine Personality" da Wine Advocate, em 1992), que juntamente com a filha Laurence gere o "domaine", continua a elaborar esta Cuvée Réservée sem concessões, fiel às raízes e à pureza do vinho. Massivo, musculado, algo rude, mas extremamente rico. Daqueles que realmente acrescentam algo e que o apreciador enfastiado de tanta prova, saúda como um "vinhão"! Tão diferente dos padrões habituais, que, por paradoxal que possa parecer, julgamos a aproximação facilitada até por um ano menos favorável. Sem a estrutura do 2001, este apresenta-se mais pronto. No imediato, talvez até mais voluptuoso. A transbordar, ora compotas, ora tabaco, pimenta, carne assada... numa impressionante extracção de aromas.

Basta ver as últimas classificações atribuídas por Robert Parker ao que ele designa como um dos 7 grandes de Châteauneuf* : Pegau (geralmente apelidado "Pêgô", pronuncia-se "Pêga-ú" na origem Provençal do termo)1998 - 94p.; 1999 - 92p.; 2000 - 95p.; 2001 - 95+p. (2002 ainda não pontuado)! Enfim, o suficiente para muitos que conhecem ou já ouviram falar, o terem por inacessível. E essa parte, é outra revelação bem agradável.

* "Outstanding (*****), one of the seven best in Châteauneuf du Pape. This superb estate fashions an old style, massive, unbelievably rich... If you want to taste what the old style Châteauneuf du Pape of the forties, fifties, and early sixties tasted like, buy a bottle of Domaine du Pégau. They are rich, rustic, sometimes massive Châteauneuf du Papes made with no concession to modern-day tastes."
Robert M. Parker, Jr., The Wine Advocate

Características
Região: Châteauneuf-du-Pape (França)
Castas: Mistura das 13 castas tradicionais de Châteauneuf, com predominância de Grenache, Mourvèdre e Syrah.
Vinificação: As 11 parcelas do Domaine, repartidas pelos melhores terroirs de Châteauneuf (Escandudes, Rayas, La Crau, etc), são de cultivo orgânico e o vinho tratado com um mínimo de sulfuroso. Nos tintos, há uma leve foulage (romper a pele da uva para libertar o sumo) e os cachos, sem desengaçar, são colocados em balsas. O processo de maturação dura mais de 15 dias e quando a fermentação alcoólica está completa o vinho é decantado para grandes barricas de carvalho.
Estágio: 18 meses em grandes barricas de carvalho francês.
Teor Alcoólico: 13% vol.
Enólogo: Paul e Laurence Féraud
Informação: Qualquer Pegau dura à vontade 15 ou mais anos. As colheitas de 89 e 90 continuam a envelhecer muito bem. No entanto, não sendo um grande ano, cremos que não deve beneficiar com guarda tão prolongada e será perfeitamente bebível nos próximos 4/5 anos. Mas atenção, em caso de guarda, importante mesmo é estar preparado para a força animal que o espera. Como diz o ditado... One horse in each bottle!
O nosso Preço: 2 x 25,80 EUR

CARM Augusto Gemelli 2001

"...cartão de apresentação para algo mais sério, digamos, mais intelectual, que surgirá lá mais para diante, com a assinatura do próprio chefe no rótulo".
Winept / Selecção Setembro 2004

A frase é extraída da apresentação do Amico 2001, quando pela primeira vez falamos aqui na inédita abertura das portas de uma adega a um chefe de prestígio. E, claro, este é então o fruto principal desse desafio lançado pela CARM a Augusto Gemelli. O lote idealizado desde o início pelo proprietário do restaurante "A Galeria". Com um cunho pessoal muito marcado, como se prova pelo estilo, que foge completamente ao habitual nos vinhos daquele produtor.

Se bem se lembram, a ideia nasceu à mesa, durante um jantar vínico em que se abriram diversas garrafas do país natal do chefe. Quando este começa a trabalhar com as uvas seleccionadas por Rui Madeira, o objectivo é pois fazer um vinho de perfil italiano. À imagem dos frutos das vinhas velhas do Friuli, que o chefe recorda da sua juventude. Vinhos cuja característica, mais do que a complexidade, era um grande sentido gastronómico. Como se calcula, não possuímos elementos de comparação para dizer se o objectivo foi ou não alcançado. O que podemos comprovar é que se trata de facto de um vinho pensado para acompanhar comida. Com um toque mineral que nos agrada particularmente e que, segundo nos explicam, deriva das uvas de uma parcela de cultivo biológico. Embora em percentagem reduzida (5%), suficiente para lhe acrescentar essa nota distintiva.

Características
Região: Douro
Castas: Touriga Nacional (60%), Touriga Franca (20%) e Tinta Roriz (20%).
Vinificação: Desengace e esmagamento; maceração pelo frio durante 48 horas; fermentação alcoólica durante um mínimo de 15 dias com maceração pós fermentativa seguida de fermentação malolactica que decorre a temperatura controlada a 18ºC durante cerca de 15 dias.
Estágio: 12 meses em barricas de carvalho americano e francês.
Teor Alcoólico: 13,4% vol.
Produção: 1500 garrafas.
Enólogo: Augusto Gemelli e Rui Madeira
Informação: Consumir de preferência até 2010.
O nosso Preço: 1 x 14,75 EUR

Diga? 2002

Dizemos sim senhor: é o primeiro varietal português Petit Verdot (100%)! Só por isso, valeria a pena. Mas é também uma das experiências bem sucedidas do bairradino Carlos Campolargo na busca de novos caminhos, de castas minoritárias dignas de maior difusão. O vinho de 2003, que em breve estará aí, viu a produção aumentada e a linha de engarrafamento de 2004 (cerca de 4 mil garrafas) confirma já uma alternativa válida, em termos de mercado nacional. Este 2002, é o vinho que lhe está na origem, e, ao adquirirmos todas as garrafas disponíveis, visamos presentear os sócios com uma edição de interesse quase académico.

Em meados dos anos 90, o viveirista francês Mercier entusiasma Carlos Campolargo com a excepcional qualidade de clones da mais exótica das uvas bordalesas. Um bago que não apodrece, por isso é a última variedade a ser vindimada no Médoc, mas que só amadurece satisfatoriamente em colheitas mais quentes. E é em zonas quentes que mostra um carácter marcado, muito atraente. Como o demonstra o trabalho de Angel Anocíbar, o grande especialista ibérico de Petit Verdot (PV Abadia Retuerta). Atento ao que se passa em Espanha, o produtor bairradino comprova a valia da aposta com o papel determinante da casta na composição, cor e acidez, do seu Calda Bordaleza (Ver selecção Outubro). De resto, na comparação com outros rótulos estremes, este primeiro ensaio bairradino fica ainda aquém do exemplo citado, muito mais caro, mas mostra-se já à altura de rivais experimentados como Valdepusa (Carlos Falco), que operam no mesmo patamar (10-15€).

Com uma diferença, do outro lado da fronteira a casta é recomendada em toda "Castilla-La Mancha", em particular nas D.O. La Mancha e Manchuela. Enquanto por cá, nem como vinho regional é autorizada. Numa denominação - Beiras - que era suposto libertar os produtores desses espartilhos! Ah? Diga?...

Características
Região: Bairrada
Castas: 100% Petit Verdot
Vinificação: Proveniente de uma vinha muito cuidada, com rendimento baixíssimo, 3 ou 4 cachos por cepa (PV chega a ter 20 ou mais...), a fruta fermenta em pequenos depósitos de inox. Faz depois uma curta maceração (10 dias) e segue para as barricas de carvalho francês.
Estágio: 12 meses em barrica nova de 300L.
Teor Alcoólico: 13% vol.
Produção: 280 garrafas.
Enólogo: Carlos Campolargo
Informação: Não sendo um vinho de guarda, é sobretudo interessante saber como a casta se comporta sózinha. No nariz, somos torpedeados por um bouquet incrivelmente concentrado. No palato, a sua dureza mostra porque é muito mais utilizada em blend. Elevada acidez, taninos médios, muita concentração e persistente retro-nasal.
O nosso Preço: 1 x 12,85 EUR


Selecção de Dezembro - 6 Garrafas
Produto O nosso Preço
Vinha do Fojo 2001 2 x 34,90 EUR
Domaine du Pegau 2002 Cuvée Réservée 2 x 25,80 EUR
CARM Augusto Gemelli 2001 1 x 14,75 EUR
Diga? 2002 1 x 12,85 EUR
Totais:   149,00 EUR

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